-Ow... James, vem cá. – chamou Simitry ao pé do mastro principal, onde ficava o cesto. -A capitã está chamando JG. – falou Broc.
-Bah... Eu não quero descer. Gostou de altura. – retrucou JG sem tirar a luneta do olho.
-James, desce. – falou Simitry entre os dentes.
-JG é melhor você descer. – falou Broc observando Simitry lá embaixo.
-Eu não. Ela não manda em mim. Ela é chata! – retrucou JG.
-Menino... Desça. – resmungou Simitry de forma tão ameaçadora que alguns piratas que estavam perto levaram instintivamente as mãos as suas armas.
-JG, querido, venha cá, por favor. – pediu Annabell em pé ao lado de Simitry.
-Estou indo! – exclamou JG largando a luneta nas mãos de Broc.
O menino deu um pulo do cesto de madeira, se segurando com muita habilidade em uma das várias cordas que cruzavam os mastros do navio e, praticamente planando de uma corda para outra, foi fazendo seu caminho até o chão, quase enfartando Annabell no processo.
-Você viu? Viu como a criança é desobediente? – perguntou Simitry entre os dentes.
-Calma, calma, Vai ficar tudo bem. Ele já está no chão.
-Como você pode me pedir calma? Ele não me obedeceu na frente dos meus homens!
-Você ter calma? Eu to falando comigo mesma! Ou você não viu o salto que o menino acabou de dar? – perguntou Annabell com as mãos no coração.
-Cheguei. – sorriu JG se aproximando delas.
-Tô vendo... – resmungou Simitry cruzando os braços.
-JG, a Simitry vai te ensinar algumas coisas importantes para ser um pirata. Então seja bonzinho e aprenda ok? – pediu Annabell.
-Tá bem. – sorriu JG.
-Cuide bem dele, sim? – sussurrou Annabell se afastando.
Simitry e JG sorriam, observando Annabell descer as escadas. Assim que sua cabeça saiu de vista os sorrisos se transformaram em caretas.
-Ótimo... Toma. – falou Simitry jogando uma espada para JG.
-Luta? – perguntou JG.
-Luta. – confirmou Simitry empunhando sua espada.
-Legal! – exclamou JG ficando em guarda.
-Hum... Você sabe lutar menino? – perguntou Simitry o observando.
-Ahn... Não sei.
-Não sabe? Bom... Você tava com essa espada quando te achamos, deve significar algo. De qualquer forma, você aprende. Todo pirata tem que saber lutar.
-Eu não quero ser pirata.
-Não seja insolente! Se um pirata é uma honra, seu... Lindo menino! – falou Simitry observando a cabeça loira de Annabell surgir das escadas.
-Ah sim, sim. Que linda lição será esta. – concordou JG sorrindo enquanto Annabell passava para dentro de sua cabine.
-De qualquer forma, menino, você vai aprender a lutar. – falou Simitry.
-E você que vai me ensinar? – perguntou JG desconfiado.
-É e, acredite pirralho, não poderia ter melhor professora. – respondeu Simitry – Agora levanta a espada.
-Assim?
-É. Agora tenta girar ela e... O que...
Simitry se calou diante da habilidade do menino com a espada. Ele fez hábeis movimentos com a arma, demonstrando muita intimidade e prática.
-EM GUARDA! – exclamou JG apontando a pesada para a desavisada pirata, que se recuperou do choque a tempo de se defender de um golpe.
A cada investida do menino Simitry parecia menos surpresa e mais admirada. O menino desferia golpes dos quais um habilidoso espadachim sentiria dificuldades de se defender. Em uma luta que parecia estar empatada, Simitry e JG percorreram o deck, assustando piratas desavisados, subindo em cima de barris, se pendurando em cordas e ocasionalmente gruindo, sob o metálico barulho das lâminas se encontrando. Por um momento parecia que JG poderia realmente vencer Simitry, mas em um rápido movimento a pirata virou o jogo, encurralando o garoto em um canto do navio.
-Nada mal. – sorriu Simitry colando sua espada na de JG, numa espécie de cumprimento.
-AI MEU POSEIDON! Simitry, o que você tá fazendo? – perguntou Annabell correndo na direção dos dois.
-Estou tentando ensinar o menino a lutar. – explicou Simitry.
-“Lutar”? Tá doida? – perguntou Annabell horrorizada.
-É, foi idéia sua! Você que disse pra eu ensinar ele.
-Minha idéia? A minha idéia era você ensinar ele o básico sobre ser pirata. Pensei em algo como... Usar a bússola, estudar mapas, não arrancar o olho com uma espada!
Simitry deu de ombros, guardando sua espada na cintura.
-Você tá bem, filho? – perguntou Annabell se ajoelhando na altura de JG.
-Estou. Eu... Eu... Gostei da aula. – admitiu JG abaixando sua espada.
-Você gostou? – perguntaram Annabell e Simitry ao mesmo tempo.
-Gostei. Foi divertido. Podemos fazer de novo? – perguntou JG olhando suplicante para Simitry.
-Ahn... Claro. Mas não hoje, eu tenho muito o que fazer. Amanhã ok? – propôs Simitry.
-Nossa, obrigada. – agradeceu JG fechando os olhinhos e abraçando Simitry pela cintura.
-Ahn... De nada. – falou Simitry o tocando sem jeito com a ponta dos dedos.
-Ok. Agora guarda essa espada no baú da sua cabine e não mexe nela até a próxima aula, viu? – pediu Annabell.
-Sim. – concordou JG correndo na direção da cabine.
-Menino doido... – resmungou Simitry.
-Ele gosta de você. – falou Annabell.
-Pois não deveria.
-Ai, ai, ai... – suspirou Annabell.
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-“C” de casa. – explicou Annabell sentada na cama, segurando um cartão com a letra “C”.
-Casa? – perguntou JG sob as cobertas.
-É. Casa é onde você mora. Como os piratas daqui, o Sea Phoenix é a nossa casa.
-É a minha também?
-Bom... Por agora é sim. Você mora com a gente e aqui é sua casa agora.
JG sorriu.
-“D” de dedo. Como o que falta na mão de alguns piratas. “E” de espelho, como o que tem na cabine que pertence a mim e Simitry. “F” de família.
-Família?
-É.
-Annabell, o que é família?
-Hum... – Annabell observou a figura atrás do cartão onde estava estampada uma mulher e um homem abraçados, observando 3 crianças brincando perto deles – Família, geralmente, é... Bom, tradicionalmente... Olha JG, quando eu tinha sua idade me explicaram que família é uma mãe, um pai e os seus filhos. A mãe cuida dos filhos, ela é muito amável, paciente e cuida da casa. Já o pai trabalha, é mais duro, impõe disciplina e trás a comida pra casa. Mas, na verdade, família é muito mais do que isso. São as pessoas que você ama profundamente, as quais você quer bem e gosta de estar junto, partilhando das coisas boas e das ruins também.
-Então, se o navio é sua casa, então os piratas são sua família, certo?
-Certo.
-E se você cuida de mim e é amável e tudo mais... Então você é minha mãe, Annabell? – perguntou JG com os olhinhos fechando de sono.
-Bom, eu...
-Então Simitry é meu pai? Porque ela é bem mal-humorada, sabe? – perguntou JG.
Annabell encarou os brilhantes olhos azuis do menino, seu cabelo loiro revolto, sua pele marcada por algumas cicatrizes das quais ele, assim como Simitry, por algum motivo pareciam se orgulhar muito. Seu temperamento era doce como o dela, mas o gênio era forte como o de Simitry.
-JG, sabe... – começou Annabell, mas logo percebeu que o menino dormia – Boa noite, filho.
Com um beijo na testa e uma última ajeitada nas cobertas, Annabell se esgueirou pela passagem secreta.
-Pensei que ia me trocar por ele. – sorriu Simitry quando Annabell encaixou seu corpo nu por trás do dela.
-Ah pensou?
-Pensei. – falou Simitry virando-se para ficar frente a frente com a loira.
-E deixar a minha pirata só? – perguntou Annabell acariciando o rosto de Simitry.
-Ah... Sei lá.
-Nunca. – falou Annabell beijando os lábios da pirata.
-Gostosa. – sussurrou Simitry passando as mãos pelas coxas de Annabell.
-Que mãozinha mais sapeca. – sorriu Annabell sentindo as mãos da pirata alisarem a parte interna de suas coxas.
-Você ainda não viu nada. – sussurrou Simitry com a boca enterrada no pescoço da loira, suas mãos alisando o sexo molhado dela.
Annabell rebolava, roçando sua bunda no sexo de Simitry, que massageava seu clitóris com movimentos circulares.
-Isso, isso... – gemeu Annabell alisando os próprios seios, cujos rosados bicos estavam rijos de prazer.
-Eu tive um pesadelo. – choramingou JG no meio da passagem secreta, arrastando um lençol pela mão direita.
As duas mulheres paralisaram na cama.
-Mimimimi... – choramingou JG tremendo seu lábio inferior.
-Calma, calma. – pediu Annabell se enrolando em um lençol e indo na direção do menino – Foi só um pesadelo
-É. Eu tenho um monte deles, sabe o que é bom pra pesadelo? Voltar pra sua caminha, anda. – falou Simitry entre os dentes.
-Mimimi.- choramingou JG com os olhos cheios d’água.
-Ow filhote. Venha cá, venha. Conta pra mim o que aconteceu.
-Mimi... Quero falar não.
-Tudo bem. Deita aqui, deita. – sorriu Annabell batendo no meio da cama, entre ela e Simitry.
-Ei, ei, ei, o que... – protestou Simitry puxando o lençol para cobrir seu corpo.
-Agora trate de dormir porque nada de mal vai acontecer. Nós vamos proteger você. – falou Annabell alisando os cabelos de JG, que rapidamente caiu no sono.
-Mas... Annabell. – resmungou Simitry.
-Amor, ele teve um pesadelo, tá muito assustado pra dormir só. – explicou Annabell.
-Mas ele tem que dormir na NOSSA cama?
-É só por hoje. Não vai virar costume.
-Grunf... – resmungou Simitry se virando para o outro lado da cama.
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-Capitão! Vossa excelência, piratesa real... – falava o baixo e gordo marujo, batendo insistentemente na porta da cabine – Exuberância dos sete mares, malevolência herege...
Por pouco seu olho não foi arrancado pelo gancho que atravessou a porta. Estilhaços e pó de madeira voaram até o vidro dos seus óculos.
-O QUE? – perguntou a voz de um homem irritado do outro lado da porta.
-Ca... Capitão, névoa a frente. – falou o rechonchudo marujo espiando pelo buraco que o gancho abriu na porta.
-Ótimo! À frente, com toda força! Ele será meu.